quarta-feira, 23 de maio de 2012

O sentido das coisas e as coisas dos sentidos


Ah, difícil é ver isso tão bonito,
Ver o amor romântico e acreditar, sentir.
ou ao menos sonhar...
-acaba, muda, transforma, morre-

Absorvo a dor, mas ela já não fica mais, ela passa.
Digiro a triste história e engulo o amargo da desesperança.
-equilíbrio, atenção, anestesiamento natural-

Mais uma criança de 9 ou 12 anos aliciada pelo crime organizado.
E quem disse que o encaram como criança?
Sua sede de poder já o mostra como adulto para o mundo indiferente.
-sentido?onde?-

Aflore-me os sentidos às cotidianas coisas!
Que sinta. Que sofra diferente.
Não esse gosto amargo e esse pedacinho inflamado que ninguém se importa.
Que não se encontre sentido em nada,
-não busco-

Dê-me meus sentidos de volta,
Afete-me!
Não vejas mais essa armadura,
Desmonte-me!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Delta do Parnaíba - Piauí - setembro 2011









quarto do hotel mal assombrado

hotel mal assombrado

Partindo do Estado do Maranhão em direção ao Piauí fui num bonde de uma Hilux 4X4 (dessa vez mais confortável) com um casal de gringos italianos que mal falavam, interessante aquele caminho pela praia... Parnaíba é uma cidade grande, mas com uma cara muito diferente das cidades grandes daqui. Chegando a rua do hotel mais barato que achei por lá avistei o casal de amigos paulistas que conheci em Santo Amaro (que concidência) e depois fomos jantar com mais uma amiga deles psiquiatra. Eles tinham acabado de fazer o passeio e estavam indo em direção à Jericoacoara. Era um domingo. Não estava fácil achar algum passeio pra segunda feira, o turismo lá é bem devagar, pela fama achei que teriam mais movimento, mas não! era bem devagar. Então, acordei cedo e fui a todas as agências pra dizer que estava lá procurando um grupo, depois de algum tempo avistei um povo numa das agências, era uma gente simpática de dinheiro que sabia pechinchar. Isso era bom! E foi esse o grupo que fui, tinha que ser esse e foi: um casal de amigos meio brasileiros meio japoneses, um casal de idosos e um casal de minas quarentonas, o barqueiro acabado de sair da adolescência e EU. Foi engraçado! O povo tirou várias fotos minhas, vai saber o que falaram de mim pras suas famílias!!!
Bom, nesse rolê eu tenho que mencionar o hotel mal assombrado que dormi. Era um hotel grande, meio falido numa casa muito antiga da época da escravidão. Meio bizarro... Dormi duas noites lá, numa delas estavam apenas duas pessoas no hotel inteiro: eu e a recepcionista. Antes de dormir, arrumando as coisas eu precisei de uma tesoura para um curativo, pensei: vou pedir a ela, abri a porta que rangeu (mesmo), maior escuridão, um ventinho, silêncio, aquelas paredes gigantes de pedra, janelões, portonas, uns quadros, dei um passo e um morcego passou num razante na minha cabeça. Achei melhor voltar pra trás... Depois que descobri que só estávamos nós duas no hotel todo! Foi engraçado, teria gente que não coseguiria dormir lá. Mas eu fui que fui!

Mas vamos lá ao ponto: DELTA DO PARNAÍBA! Lindo lindo! Umas praias no meio do nada, não fiquei quanto tempo queria em cada lugar, esse negócio de passeio fechado... mas era a única opção no momento, eu só tinha 1 dia inteiro lá! Mesmo lindo, tenho que confessar que pra quem já foi pra Amazônia (na minha singela opinião) não vai ver tantas coisas mais lindas que Ela. Mas é lindo e o destaque (que só fui por causa do povo pois era o passeio mais caro)mas o destaque foi a Revoada dos Guarás UAU e o pôr do sol que coisa maravilhosa. Mas teve uma hora que acho que ouvimos tiros e todos eles, guarás e garças voaram meio tensos, não como antes do barulho quando estavam apenas trocando de ilha para dormir, mas assustados. Sim eram tiros, o próprio barqueiro assumiu. Depois ouvi falar que haviam caçadores de Guará lá, que a polícia ambiental tava em cima, mas não dava conta de reprimir. É claro né capitalismo? É claro que a polícia não dá conta de reprimir, nem se quisesse...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Força na luta e paz para todas as mulheres!


Ter certas dificuldades com o amor romântico não significa não ter um coração em algum lugar.
Ter facilidade em tratar mal com quem se tem sentimentos, não significa não ter sentimentos.
Ter o dom de se afastar mentalmente estando lado ao lado de alguém, não significa não se importar.
Ter o dom de se afastar emocionalmente rápido quando algo que não agrada acontece, não significa ser fria.
Gostar de sexo mais do que uma mulher deve demonstrar que gosta, não significa que nunca se chorou de felicidade fazendo amor.
Ser um ser humano, trair e sentir desejo por outros, não significa que não é uma pessoa que se possa confiar.
Ser instável, um dia achar que não quer mais e outro dia querer mais que todos outros dias, não significa que não se pode ser levada a sério.
Ser mulher feminista que trabalha, estuda, ama, goza, sofre, sonha, chora, grita;
sente dor por todas aquelas mulheres que sofrem, são exploradas e se sentem isoladas;
sentir orgulho por todas que lutaram por tudo que conquistamos;
e sentir vergonha por aquelas que acham que não temos mais nada pra lutar;
Sim isso significa sofrer, isso significa chorar, ter insônia, morrer e ressuscitar às vezes sem força nenhuma, às vezes mais forte que nunca.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Caburé e Mandacarú - emoção nos meus últimos dias no Maranhão

vista do Farol de Mandacarú
Caburé praia
Caburé rio
chalé sinistro
Caburé

Um belo sorriso de um charmoso maranhense, uma carona de quadriciclo e uma paquera descompromissada e uma possibilidade de um luau me incentivaram voltar à Caburé, pequeno vilarejo que havia conhecido em um passeio saindo de Barreirinhas. Apenas me incentivaram porque o lugar é lindo e diferente, queria passar uma noite lá! Então, de Atins tomei um barquinho pra Caburé e de lá partiria rumo ao Piauí. Um barqueiro que mal falou comigo me levou, ficando com o troco que não tinha pra me dar e disse que me traria mais tarde. Horas se passaram, não me preocupei porque via o barquinho atracado em frente a Pousada que estava, a hospedagem mais cara da viagem, mas como estava sem dinheiro nenhum era a opção que aceitava cheque. Fiquei num chalé só pra mim com uma cama de casal e um beliche, um banheiro bem na areia. Em Caburé não há casas, só restaurantes e pousadas, muito poucas, não há luz, às 6hs da tarde eles ligam o gerador e desligam as 10hs da noite. 
Fui pra praia, andei, mergulhei, tomei sol, mas a praia estava vazia, já era fim de tarde. Voltei pro chalé e quando estava quase tirando um cochilo, alguém bate na porta, o barqueiro! Trouxe o troco e me convidou para uma cerveja. Meio sonolenta aceitei e fui. Ao chegar mais dois amigos estavam ali, em uma outra pousada do lado. Depois de algumas, os três barqueiros e pescadores resolvem ir para um suposto forró para um outro povoado em frente (Mandacaru que já tinha conhecido de dia), atravessando o canal, alguns minutos de barco. Acho que não pensei e fui, atravessamos, três barquinhos a motor pequeno (não lembro como eles chamam por lá). Chegamos lá e nada de forró, havia é só moradores e eu de turista em todo o povoado, fomos para um "bar" que tinha umas mesas de sinuca, umas três mulheres e uns trinta homens. OK eu era a atração do lugar e os pesacadores ficavam chamando o dono do bar, falando que eu era paulista e queria ouvir reggae. Não tinha banheiro. Essa noite foi a mais louca dessa viagem (será?) e senti coisas que jamais esquecerei. Muita coisa aconteceu lá, alguma tensão, mas nada ruim. Só sei que passaram-se algumas horas e no final, dois caras estavam brigando pra me levar de volta pra Caburé, voltei com mesmo pescador que havia me trazido de Atins e ele começou a contar que tinha me visto em Atins e sabia tudo que eu tinha feito todos os dias e com quem (!!!). 
A noite estava linda, o barqueiro bêbado, a gasolina acabando e eu não via Caburé, afinal já era mais de 10hs e as luzes estavam apagadas. Tudo, tudo que eu pensava era em chegar no chalé, para isso teria que chegar na ilha, no chalé e com muita calma dar um fora no pescador que estava super chateado com o amigo de Mandacaru que havia me oferecido carona de barco. Não tinha nada comigo, apenas um lenço, um documento e uma lanterna!!! Mas quem disse que eu sabia chegar no chalé na escuridão? Pois que João atracou certinho no lugar e me levou à porta do chalé. E ainda teve que dormir no barco, pois a gasolina não daria pra voltar pra Atins. Tudo bem, ele se declarou e me pediu um beijo respeitosamente e quase chorou quando neguei, mas tudo que eu pensava era em entrar e trancar a porta. O que logo fiz e quando deitei na cama olhando para este teto de uma das fotos, senti o maior alívio da minha vida e a sensação mais estranha. Teria passado um grande risco? Foi uma grande loucura? Jamais saberei. Nunca. E aquela noite fiquei com medo, o chalé ficava no meio da areia, de um lado mar e de outro rio e um vento uivando... Olhava pelas frestas da veneziana e escuridão. No dia seguinte parti para o Piauí. Descobri que turistas não vão pra Mandacaru de noite. E essa foi minha última noite no Maranhão, o Estado do filho da puta do Sarney, mas que é um dos mais lindos do Brasil e com as pessoas mais legais do mundo...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Envelhecer é morrer a cada dia...

Atins - MA.




Rota da Emoções ainda tem muito o que contar, mas aí vai um texto pessoal novo que não sei se gostei ou não.



Não foram todas as promessas em vão,
Nem cada falsa declaração,
Nem cada lindo sorriso que no fim era só uma técnica de sedução,
Que me deixaram com tanta raiva.
Não me importo e nem quero ser a psicóloga que compreende as razões para se fazer isso com alguém;
Não vou remoer os momentos bons,
Nem buscar na memória todos seus dons.
Também não vou supervalorizar seus defeitos,
Nem me julgar por ter ignorado todos os óbvios sinais.
Ainda tento superar a grande compatibilidade corporal,
Maldita importante num corpo tão liberto da moral.
Não é isso tudo o que mais me incomoda,
Já superei decepções muito piores.
A dor é sentir que o que restava de esperança se esvaiu,
O horror é ver a morte de um sentimento que nem havia nascido, mas que sonhou,
Valor eu dou pro sentimento ruim de vazio, de insensibilidade, de apatia que você me criou.
O ódio é um sentimento forte, um amor ao contrário que te faz mal e te faz querer fazer coisas que não te fazem bem,
A insensibilidade te faz paralisar, te faz deixar de fazer coisas que podem te fazer bem,
Superei o ódio.
Parti pra insensibilidade e também não é um lugar confortável.
Muito obrigada por me fazer confirmar algo que sempre acreditei: Nunca se deve deixar de se surpreender com o ser humano.
E muito obrigada por me matar mais um pedaço e me endurecer mais o coração.
Envelhecemos e morremos a cada dia, uns nos ajudam mais outros menos.
Namastê.




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Atins - Maranhão - e meu amigo cão!





Em Barreirinhas cheguei a ficar 3 dias, a cidade mais popular dos Lençóis Maranhenses, não era pra eu ficar tudo isso, mas as informações são tão desencontradas pra se sair de lá, que não consegui sair antes. Cheguei a acordar cedo pra ir pra Atins e quando cheguei na hora que falaram que saía o carro: já era! Acabei passando por maior aventura. Peguei uma moto táxi com uma puta mochilona nas costas pra tentar alcançar o carro em outro ponto e nada e depois pra tentar pegar o barco, que não era a melhor opção porque demorava o dobro de tempo e era mais caro. O moto taxista era doido e foi uma aventura principalmente na parte de areia!!! Cheguei onde supostamente passava o barco, todos falando que ia passar, ia passar e esperei umas 3 horas e nada! Era um povoado um pouco longe de Barreirinhas. Acho que devido à maré o barco tinha ido por outro caminho... Tudo bem! Nesse meio tempo fiquei sentada embaixo de uma árvore vendo a galera do povoado, tinha gente que tomava banho no rio pra ir trampar ou só dava um mergulho pra refrescar... um calor insano!! As crianças todas tomavam um banho no rio, de roupa mesmo antes de ir pra escola e já davam uma lavada na roupa. Bom, quando vi que não ia passar barco mesmo me falaram que a única forma de voltar pra cidade era ir no ônibus escolar e aí fui eu... Eu com uma mochila enorme e com minhas tatuagens chamaram um pouco de atenção num ônibus lotado de crianças e adolescentes... foi divertido!
Mas enfim, Barreirinhas é uma cidade maiorzinha, com certa infra, pessoas legais, mas muito turismo pro meu gosto, os passeios são muito cheios e com pessoas um pouco bagunceiras demais pra mim. Mas tem umas lagoas lindas mesmo!
Bom, aí consegui ir pra Atins! Tem que estar onde sai os carro cedo, antes das 8hs porque esse tal carro leva os moradores, se encher eles saem mesmo, eles não estão nem aí pros turistas, se tiver lugar eles te enfiam em algum canto e colocam sua mala num lugar perigoso de cair hehe mas foi ótimo, no meio da viagem já tinha feito amizade com os moradores, já tinha onde ficar e me deixaram na porta!
Caramba! Atins... Que lugar! Insano de lindo e de pessoas mais legais do planeta. Fiz amizades instantâneas que nunca vou esquecer, vi um céu estrelado indescritível de lindo, o clima lá é maravilhoso. Falei para um de meus amigos de lá que nunca iria esquecer aquela brisa da noite na praia e é verdade, nunca esqueci. De noite vi algumas coisas no céu que nem sei explicar. Lá tem também lagoas lindas e uns povoados bem interessantes, mas a praia é demais. No primeiro dia que cheguei fui dar um volta na praia, mas estava tão quente que voltei logo, almocei, cochilei (os melhores cochilos da minha vida) e voltei pra praia disposta a andar até o fim dela e ver o pôr do sol. Logo no início da caminhada avisto um labrador marrom lindo vindo em minha direção muito muito feliz e me “cumprimentando” como se me conhecesse há anos, fiz carinho nele, conversei com ele, perguntei de seu “dono” e comecei a andar, aí ele me acompanhou e parecia que ia me acompanhar o dia todo pela animação que estava e assim o fez! Que amigo! Ele andava bem do meu lado, até esbarrando de tão perto, tão entrosado que as poucas pessoas que passavam pela praia achavam que ele era meu, e ele era “meu” aquele dia. Quando eu entrava na água ele entrava também, nadamos juntos, corremos, andamos bastante. Eu dividia minha água com ele. Tentei fazer algumas posições de Yoga, mas ele vinha lamber minha cara e me desequilibrar, num rolou! Brincamos de tudo que cachorro (e algumas gentes) gostam. Aí depois de algumas horas sentei pra ver o pôr do sol e ele não parava, inano! Olhei bem séria pra ele e falei: Amigo! Agora é hora de ver o pôr do sol! E que pôr do sol... Aí ele virou em direção ao pôr do sol e se deitou... Demais! Voltamos, estava escurecendo, ele me acompanhou todo o caminho de volta e na rua da minha pousada, sumiu!
Assim, como meu amigo cão fiz algumas amizades rápidas e intensas. Atins é um povoado bem pequeno, não muitos turistas ficam por lá pra dormir. De noite saía na rua pra tomar um ar e na mesma hora os vizinhos chegavam pra conversar, desde crianças até idosos. Uma das minhas amizades revelou o nome do meu amigo cão: Chocolate! Disse que quando ele gostava de algum turista fazia isso, passava o dia inteiro e que na verdade ele também tinha sido meu segurança! Saudades Chocolate...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Santo Amaro do Maranhão - Lençóis Maranhenses - setembro 2011



Até pensei em escrever um pouco sobre São Luis do Maranhão que foi minha primeira parada da viagem, porém capital é capital seja onde for, muita desigualdade escrachada, medo da violência dos próprios moradores, sujeira, muita gente, muito carro, tudo que todos conhecem, tem uma praias bem bonitas, gostei muito de algumas coisas, a noite é legal, o reggae a música popular e é um lugar praticamente legalizado, mas gostei principalmente das pessoas que conheci lá, em especial os meninos do Ceuma (moradia estudantil da UFMA) que me abrigaram numa boa e muito bem, saudades dos poucos dias que fiquei lá...


Mas vou direto pra minha primeira parada dos Lençóis Maranhenses. A especial cidade Santo Amaro do Maranhão. Saindo de São Luis você pode pegar vans ou ônibus na rodoviária mesmo. Como sou uma pessoa que não se programa muito fui pra rodoviária num horário que consegui ir, acho que umas 9hs da manhã e tomei o ônibus, perguntei pro motorista: Pára em Sangue né? Sim, pára sim. E fui.

Sangue é o povoado que tem que parar na estrada pra pegar o 4X4 pra chegar em Santo Amaro e é única forma de se chegar lá. Dormi a viagem toda, umas 4hs, e de repente o motorista grita SANGUE! e pára o ônibus coloca minha mochila no chão e aponta pro outro lado da estrada - ali tá? Eu com sono, um puta sol de rachar, olho no relógio: meio dia e meia, olho pra um lado... pro outro... nada, só sol! do outro lado da estrada um singelo bar sem ninguém. Atravesso procuro alguém pra me atender demora um pouco e aparece um tiozinho. Pergunto: - aqui que passa o carro pra Santo Amaro? Ele: - é sim! Iiii mas acabou de passar umas 11hs! agora só 4h da tarde!

Pois é, só saem carro de manhã depois só o último que é esse horário (16hs), só que ninguém te fala isso em São Luis, depois descobri que só indo de van pra chegar a tempo de pegar os carros da manhã! Bom, pessoa de férias não se estressa então falei o jeito é esperar numa cadeira dura as 3 horas e meia... Eu: – E serve almoço aqui? – Ele: Não! Tem essas bebidas e esses salgadinhos. Eu: - Então me vê uma Brahma!

O que mais eu podia fazer naquele calor? Sei que até dormi bastante na cadeira esperando... depois de algumas horas o tiozinho veio conversar comigo e aos poucos toda sua família, muito legal. As crianças achavam incríveis as tatuagens, algumas até vindo passar a mão no meu braço. O que continuou quando o carro finalmente chegou e fui só com povo morador de Santo Amaro mesmo, um monte de crianças lindas que depois que viram que eu era simpática (hehe) puxavam papo e me perguntavam mil coisas. O trajeto durou umas duas horas de sacode sacode numa Toyota Bandeirante. Emoção! Até as mulheres que pegavam o transporte sempre tinham medo em alguns trechos.



Bom, Santo Amaro é incrível, pelo que vi e ouvi é a cidade mais perto de lagoas, é menos freqüentada por turistas, até pela dificuldade de acesso e pela infra que é bem simples. Restaurante tem um e tem dois carrinhos de lanche que revezam entre si nos dias de abrir. Tudo fecha cedo, não se acha internet fácil, as pousadas são simples. Pra mim? Ótimo! Adorei!!! Cheguei a ir a pé em uma lagoa, não muito longe, menos de uma hora, o problema é a parte das dunas, areia fofa, braaaanca e o sol de rachar o côco. Mas quando chega naquele paraíso... nossa! Qualquer esforço vale a pena! A “Lagoa da Gaivota” acho que foi a paisagem natural mais linda que vi na vida, a água é maravilhosa pra mergulhar, macia, temperatura perfeita, transparente. Inexplicável! O povo é muito legal, você fica amigo em minutos, de noite não há muito o que se fazer e ficava com amigos sentada na calçada conversando, virou rotina nos 3 dias que fiquei lá... de repente eles estavam batendo na porta do meu quarto pra me acordar pra sair, também fiz um casal de amigos que depois encontrei em Parnaíba, casal legal hein? O paulista e a menina de Natal. Em Santo Amaro os passeios são mais baratos, os lugares mais vazios, não se encontra grandes grupos tipo CVC nos roles. Fiz bastante coisa por lá. Um dia num passeio uma das Toyotas atolou no rio, só eu tava na cabine cansada já de pular, o carro entrou num buraco e a água começou a subir, subir, fiquei de pé no banco e o motorista olhava pro cara do lado e tranquilamente falava: E agora? Hahaha. Uma calma que contagiava. Até que o caroneiro desceu entrou na água e ficou empurrando pra trás o carro. Os casais atrás rachando. Tudo bem no final...

Lá fiquei numa casa por $35 a diária com um super café da manhã (Hospedaria Lagoa Azul). Muito tranqüilo, na verdade é uma casa que você fica num quarto com um banheirinho pra você, aí o resto é da casa, sala, quintal, você come na mesa com a família. Muito legal, é uma família temporária, bate na porta pra ver se você já acordou e quer sair, se quer comer, quando fui embora ainda a dona falou: Foi um prazer te hospedar... Que gracinha!!!